Universidade Federal do Rio de Janeiro
Aluna: Maria de Lourdes de Lucena Sartor
DRE: 106030957
Nazismo, neo-nazismo e revisionismo
07 de abril de 2008
-Texto número 3-
Fichamento do texto: A anatomia do fascismo, de Robert O. Paxton
Capítulo 1 - INTRODUÇÃO:
Paxton traz um foco de estudo, que engloba tanto os projetos fascistas bem sucedidos, quanto aqueles que existiram enquanto teoria somente, e ainda um terceiro caso que é o dos regimes que se instauraram no contexto de invasão. numa análise dinâmica da extensão desse fenômeno, perpassando determinados estágios nos quais podemos enquadrar a maioria desses movimentos. O autor optou por definir o fascismo, somente neste último capítulo do livro, após examinar detida e comparadamente, seus exemplos históricos.
Interpretações conflitantes
Nesta altura do texto Paxton irá trazer as diferentes interpretações do fenômeno, tanto contemporâneas a ele, quanto posteriores. A principio, o autor trata da dificuldade por parte de alguns liberais em perceber no Fascismo, características tornadas viáveis pela conjuntura social na qual estavam inseridos, e não por atos esparsos de “meliantes que chegaram ao poder”, idéia que projeta a imagem de que tais eventos ocorreram por acaso. A segunda leitura que o autor traz e da qual discorda, é a marxista, que conforme a determinação da ‘Terceira Internacional’, regida por Stálin, via o fascismo como nada mais que “um instrumento do capitalismo”, visão que, segundo o autor, ignora e tende a reduzir a complexidade dos inúmeros aspectos fascistas, bem como a “escolha humana”, ao “resultado inevitável [grifo meu] de alguma crise insuperável de superprodução capitalista.”. Após esta, o autor trabalhará mais uma vez em cima da interpretação liberal, que coloca os grandes capitalistas, como meramente vítimas desses regimes, ignorando “as vantagens mútuas” Entre ambos e supervalorizando a fala fascista, independente de sua atuação prática. Paxton introduz a leitura psicanalítica do fenômeno por meio da contestação de um lugar comum de fala, que trata os ícones fascistas como loucos. Levanta o questionamento de que se estes líderes eram de fato loucos, seu público que o seguia voluntariamente, mereceria mesma preocupação de estudos psicológicos. Nesta linha diversos teóricos psicanalistas, trouxeram a leitura desses movimentos, como fruto de uma séria repressão sexual. O autor contraporá este argumento, lembrando que a repressão sexual nos países onde o fascismo se manifestou, não era diferente da grande maioria do resto do mundo neste período. A última leitura que Paxton trará será a sociológica, em dois vieses, o primeiro tratado será o do sociólogo Talcott Parsons, que sugere que o fascismo tenha surgido em função das “tensões provocadas por um desenvolvimento econômico e social desigual”, “Parsons afirmava que, em países que se industrializaram de maneira rápida e tardia, como a Alemanha e a Itália, as tensões de classe eram particularmente agudas, e as soluções de compromisso eram bloqueadas pelas elites pré-industriais sobreviventes”, a outra abordagem sociológica era a de Hannah Arendt: “o nivelamento urbano e industrial ocorrido a partir do século XIX havia produzido uma sociedade de massas atomizada, na qual os fornecedores de ódio simplistas encontravam audiências prontas, que já não eram refreadas nem pela tradição nem pela comunidade.” Paxton traz em confronto a este último argumento, a lembrança de que a sociedade da Alemanha de Weimar por exemplo, era inteiramente dividida em pequenas secções de diversas naturezas, que iam desde grupos religiosos a corais e muitos outros tipos, esses grupos eram majoritariamente divididos entre socialistas e não-socialistas, traço que facilitou a arregimentação pelo partido nacional-socialista desses grupos, ponto fundamental no enraizamento do nazismo. A última leitura sociológica trabalhada no texto é a defendida por Seymor Martin Lipset, que trata do ressentimento das classes médias da época, que não eram tão bem organizadas quanto os dois maiores pólos sociais, os capitalista e o operariado industrial.
A respeito do projeto fascista, Paxton comenta a flutuação intelectual, em decorrência das muitas medidas que diferiam do projeto inicial, quando de sua aplicação prática. E ainda um outro aspecto acerca do projeto, é a larga diferença entre os programas e as práticas fascistas, o exemplo tratado no texto é o pretenso controle total da sociedade fascista. Aí o autor traz mais uma vez a crítica sobre os estudos que se focam sobre os projetos e não analisam a extensão do movimento.
Fronteiras
Neste subcapítulo, Paxton vai traçar a diferença entre o fascismo e outros regimes comumente confundidos com ele. A diferença principal trazida pelo autor entre o fascismo e as tiranias comuns e as democracias pré-domésticas, é configurada na imensa participação das massas no primeiro caso.
O que é o fascismo?
Paxton trará como finalização a definição do fascismo, apresentando características comuns aos diferentes regimes, tendo eles obtido sucesso ou não, em seus diferentes estágios, cabe aqui a enumeração dessas características:
“ • um senso de crise catastrófica, além do alcance das soluções tradicionais;
• a primazia do grupo, perante o qual todo têm deveres superiores a qualquer direito, sejam eles individuais ou universais, e a subordinação dos indivíduos a esses deveres;
• a crença de que o próprio grupo é vítima, sentimento esse que justifica qualquer ação, sem limites jurídicos ou morais, contra seus inimigos, tanto internos quanto externos;
• o pavor à decadência do grupo sob a influência corrosiva do liberalismo individualismo, dos conflitos de classe e das influências estrangeiras;
• a necessidade de uma integração mais estreita no interior de uma comunidade mais pura, por consentimento, se possível, pela violência excludente, se necessário;
• a necessidade da autoridade de chefes naturais (sempre se sexo masculino), culminando num comandante nacional, o único capaz de encarnar o destino histórico do grupo;
• a superioridade dos instintos naturais do líder sobre a razão abstrata e universal;
• a beleza da violência e a eficácia da vontade, sempre que voltadas para o êxito do grupo;
• o direito do povo eleito de dominar os demais, sem restrições provenientes de qualquer tipo de lei humana ou divina, o direito sendo decidido por meio do critério único das proezas do grupo no interior de uma luta darwiniana.”
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Bibliografia:
PAXTON, Robert O.“A anatomia do fascismo” São Paulo, 2007 Paz e Terra.
quarta-feira, 9 de abril de 2008
Anatomia do Fascismo
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Aluna: Maria de Lourdes de Lucena Sartor
DRE: 106030957
Nazismo, neo-nazismo e revisionismo
31 de março de 2008
-Texto número 2-
Fichamento do texto: A anatomia do fascismo, de Robert O. Paxton
Capítulo 1 - INTRODUÇÃO:
A invenção do fascismo
Paxton começa seu texto caracterizando o fascismo como “a grande inovação política do século XX”. Fenômeno que veio fazer frente ao liberalismo, conservadorismo e socialismo, este último, representava grande força que polarizou com o fascismo em inúmeros paises, no levante contra o decadente sistema social democrático capitalista.
Explica o surgimento do termo ‘fascismo’, retomando uma tradição romana antiga, termo que foi usado a principio principalmente pelo partido socialista, do qual Mussolini, ícone do fascismo italiano, fez parte, até ficar associado em 1914 ao grupo nacionalista de esquerda, ao qual Mussolini adentrou após sua dissidência socialista.
O fascismo enquanto movimento na Itália, segundo consta no texto, surgiu oficialmente numa conferência na “Piazza San Sepolcro” em Milão, no ano de 1919. Na ocasião o grupo fundador do movimento era composto por veteranos de guerra, sindicalistas e alguns ‘intelectuais futuristas’, que prezavam métodos violentos. “O movimento de Mussolini não se restringia ao nacionalismo e aos ataques à propriedade, mas fervilhava também de prontidão para atos violentos, de antiintelectualismo… e de desprezo pela sociedade estabelecida”. Do dia da reunião que inaugurou o fascismo italiano, com atos violentos, a invasão seguida de destruição de um jornal socialista pela horda de Mussolini, passaram-se apenas três anos até que o Partido Fascista tomasse o poder.
“Movimentos semelhantes vinham surgindo na Europa do pós-guerra, independentes do fascismo de Mussolini, mas expressando a mesma mistura de nacionalismo, anticapitalismo, voluntarismo e violência ativa contra seus inimigos, tanto burgueses quanto socialistas.”, o autor cita o exemplo da Alemanha, cujo partido de cunho teórico semelhante ao italiano atingiu o poder onze anos depois.
Ao longo do texto o autor trará a baila interpretações historiográficas e argumentos que apontam para a ausência de parte dos governos fascistas de um projeto bem definido no campo político e econômico, cujo mote era a inflamação das massas motivadas contra um inimigo comum, que pode ser o judeu ou o estrangeiro…, e a união e homogeneização nacional, sem contanto ter bem estruturado o programa que atingirá tal fim.
As imagens do fascismo
A comum imagem do orador carismático incitando uma multidão anônima que se deixa levar pelo discurso envolvente, representando o fascismo, denota um personalismo, que exime de culpa ou pelo menos relega a uma responsabilidade secundária, aqueles que foram instigados pelos discursos fascistas, ou assumiam postos de comando menos visados, culpabilizando o ícone como se este fosse a síntese do movimento, e único responsável pelas atrocidades decorrentes dele. Além do que a imagem do líder como representação sintética do fascismo oculta toda a estrutura do regime e ideologia, que não podem ser analisados ou compreendidos sem uma reflexão profunda de toda a extensão do fenômeno. Outro problema apontado pelo autor com relação às imagens mais impactantes do fascismo, e aqui o autor toma como exemplo a 'kristallnacht', é que estas eclipsam as imagens e a estrutura cotidiana das sociedades sob regime fascista.
O projeto fascista possuía características obscuras e flutuantes, o que fica evidenciado, no texto pela informação de que judeus participaram da famosa ‘marcha sobre Roma’, o teor anti-semita no caso italiano não esteve bem delineado desde o principio do movimento.
O autor vêm contrapôr também o pressuposto tido como inegável com relação ao estudo de fascismo, que é o anticapitalismo de seu programa. Paxton demonstra que embora existissem traços dessa natureza no projeto fascista, no momento em que este atingiu o poder, esse ponto não foi levado às últimas conseqüências e, “Este livro [o texto em questão] adota a posição de que o que os fascistas fizeram é, no mínimo, tão informativo quanto o que disseram”. No tocante a posição fascista perante socialismo e capitalismo, pelo menos no campo teórico, a pretensão fascista era a de seguir uma terceira via que estaria mediando as duas primeiras. A idéia era de que não deveria haver direita ou esquerda, bem como não haveriam interesses de patrões e empregados, somente os interesses da nação.
O autor tratará também de mais uma contradição entre a “retórica e a prática fascista”, o fetiche por símbolos modernos como carros, aviões e armamentos ao passo que a idéia geral pregada pelos fascistas era a de um culto, com ânsias de retorno aos tempos pré- capitalistas e pré-industriais, no caso alemão especificamente um extremo culto do bucolismo. E ressalta que essa relação só poderá ser bem analisada se o foco de estudo abranger toda a extensão do movimento fascista, ou seu “itinerário”. “As definições são inerentemente limitantes. Delineiam um quadro estático de algo que é mais bem percebido em movimento, e mostram como “estatuária congelada” algo que é mais bem entendido se examinado como um processo.”
Estratégias
Pela leitura do texto captamos a idéia de que os fascismos, que surgiram enquanto movimento, impulsionados pelas circunstâncias excepcionais e rapidamente alçados ao poder, não tinham como base sólidos argumentos intelectuais, a prática no caso fascista sobrepujava a teoria. O autor levanta o ponto, de que essa ausência de um projeto bem delimitado, exclui o fascismo e seu projeto obscuro e flutuante da nomenclatura de ideologia, comuns aos outros “ismos”. Outra característica que coloca esse movimento no sentido oposto aos outros movimentos que estavam no jogo pelo poder social, o antiintelectualismo e a violência extremada como método, são características fundamentais para se compreender a natureza do movimento fascista.”O punho é a síntese da nossa teoria”, conforme afirmou à época militante desse movimento. “o que contava era o zelo dos fiéis, mais que sua concordância intelectual”.
Nesta altura do texto o autor tratará de como em principio, em detrimento do antiintelectualismo de um segundo momento da trajetória fascista, os intelectuais e a incipiente ideologia fascista abriu caminho para o movimento posterior, tornando “possível imaginar o fascismo”, por meio do enfraquecimento do “apego das elites aos valores do Iluminismo”, tais teorias surgiram entre os intelectuais, para propôr uma solução perante os problemas criados pelo capitalismo, dos quais este não dava conta. Paxton ressalta ainda a importância dessas ideologias nos estágios mais avançados do regime, quando se dá um encrudescimento da situação, em razão da guerra.
Para onde vamos a partir daqui
Paxton comentando a ambigüidade do texto que resulta na preferência por parte de alguns autores pelo desuso do termo. Explica que para formular uma definição que dê conta da complexidade do fenômeno fascista é preciso “que o examinemos em ação, desde seus primórdios até o cataclismo final”. Para melhor analisar os inúmeros regimes fascistas, bem como todo seu itinerário, Paxton achou por bem usar como método a análise comparativa segmentada dos diferentes estágios de desenvolvimento do fascismo: “(1) a criação dos movimentos; (2) seu enraizamento no sistema político; (3) a tomada do poder; (4) o exercício do poder; (5) e, por fim, o longo período de tempo durante o qual o regime faz a opção pela radicalização ou pela entropia.” Para então o conceito de fascismo ser bem formulado.
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Bibliografia:
PAXTON, Robert O.“A anatomia do fascismo” São Paulo, 2007 Paz e Terra.
Aluna: Maria de Lourdes de Lucena Sartor
DRE: 106030957
Nazismo, neo-nazismo e revisionismo
31 de março de 2008
-Texto número 2-
Fichamento do texto: A anatomia do fascismo, de Robert O. Paxton
Capítulo 1 - INTRODUÇÃO:
A invenção do fascismo
Paxton começa seu texto caracterizando o fascismo como “a grande inovação política do século XX”. Fenômeno que veio fazer frente ao liberalismo, conservadorismo e socialismo, este último, representava grande força que polarizou com o fascismo em inúmeros paises, no levante contra o decadente sistema social democrático capitalista.
Explica o surgimento do termo ‘fascismo’, retomando uma tradição romana antiga, termo que foi usado a principio principalmente pelo partido socialista, do qual Mussolini, ícone do fascismo italiano, fez parte, até ficar associado em 1914 ao grupo nacionalista de esquerda, ao qual Mussolini adentrou após sua dissidência socialista.
O fascismo enquanto movimento na Itália, segundo consta no texto, surgiu oficialmente numa conferência na “Piazza San Sepolcro” em Milão, no ano de 1919. Na ocasião o grupo fundador do movimento era composto por veteranos de guerra, sindicalistas e alguns ‘intelectuais futuristas’, que prezavam métodos violentos. “O movimento de Mussolini não se restringia ao nacionalismo e aos ataques à propriedade, mas fervilhava também de prontidão para atos violentos, de antiintelectualismo… e de desprezo pela sociedade estabelecida”. Do dia da reunião que inaugurou o fascismo italiano, com atos violentos, a invasão seguida de destruição de um jornal socialista pela horda de Mussolini, passaram-se apenas três anos até que o Partido Fascista tomasse o poder.
“Movimentos semelhantes vinham surgindo na Europa do pós-guerra, independentes do fascismo de Mussolini, mas expressando a mesma mistura de nacionalismo, anticapitalismo, voluntarismo e violência ativa contra seus inimigos, tanto burgueses quanto socialistas.”, o autor cita o exemplo da Alemanha, cujo partido de cunho teórico semelhante ao italiano atingiu o poder onze anos depois.
Ao longo do texto o autor trará a baila interpretações historiográficas e argumentos que apontam para a ausência de parte dos governos fascistas de um projeto bem definido no campo político e econômico, cujo mote era a inflamação das massas motivadas contra um inimigo comum, que pode ser o judeu ou o estrangeiro…, e a união e homogeneização nacional, sem contanto ter bem estruturado o programa que atingirá tal fim.
As imagens do fascismo
A comum imagem do orador carismático incitando uma multidão anônima que se deixa levar pelo discurso envolvente, representando o fascismo, denota um personalismo, que exime de culpa ou pelo menos relega a uma responsabilidade secundária, aqueles que foram instigados pelos discursos fascistas, ou assumiam postos de comando menos visados, culpabilizando o ícone como se este fosse a síntese do movimento, e único responsável pelas atrocidades decorrentes dele. Além do que a imagem do líder como representação sintética do fascismo oculta toda a estrutura do regime e ideologia, que não podem ser analisados ou compreendidos sem uma reflexão profunda de toda a extensão do fenômeno. Outro problema apontado pelo autor com relação às imagens mais impactantes do fascismo, e aqui o autor toma como exemplo a 'kristallnacht', é que estas eclipsam as imagens e a estrutura cotidiana das sociedades sob regime fascista.
O projeto fascista possuía características obscuras e flutuantes, o que fica evidenciado, no texto pela informação de que judeus participaram da famosa ‘marcha sobre Roma’, o teor anti-semita no caso italiano não esteve bem delineado desde o principio do movimento.
O autor vêm contrapôr também o pressuposto tido como inegável com relação ao estudo de fascismo, que é o anticapitalismo de seu programa. Paxton demonstra que embora existissem traços dessa natureza no projeto fascista, no momento em que este atingiu o poder, esse ponto não foi levado às últimas conseqüências e, “Este livro [o texto em questão] adota a posição de que o que os fascistas fizeram é, no mínimo, tão informativo quanto o que disseram”. No tocante a posição fascista perante socialismo e capitalismo, pelo menos no campo teórico, a pretensão fascista era a de seguir uma terceira via que estaria mediando as duas primeiras. A idéia era de que não deveria haver direita ou esquerda, bem como não haveriam interesses de patrões e empregados, somente os interesses da nação.
O autor tratará também de mais uma contradição entre a “retórica e a prática fascista”, o fetiche por símbolos modernos como carros, aviões e armamentos ao passo que a idéia geral pregada pelos fascistas era a de um culto, com ânsias de retorno aos tempos pré- capitalistas e pré-industriais, no caso alemão especificamente um extremo culto do bucolismo. E ressalta que essa relação só poderá ser bem analisada se o foco de estudo abranger toda a extensão do movimento fascista, ou seu “itinerário”. “As definições são inerentemente limitantes. Delineiam um quadro estático de algo que é mais bem percebido em movimento, e mostram como “estatuária congelada” algo que é mais bem entendido se examinado como um processo.”
Estratégias
Pela leitura do texto captamos a idéia de que os fascismos, que surgiram enquanto movimento, impulsionados pelas circunstâncias excepcionais e rapidamente alçados ao poder, não tinham como base sólidos argumentos intelectuais, a prática no caso fascista sobrepujava a teoria. O autor levanta o ponto, de que essa ausência de um projeto bem delimitado, exclui o fascismo e seu projeto obscuro e flutuante da nomenclatura de ideologia, comuns aos outros “ismos”. Outra característica que coloca esse movimento no sentido oposto aos outros movimentos que estavam no jogo pelo poder social, o antiintelectualismo e a violência extremada como método, são características fundamentais para se compreender a natureza do movimento fascista.”O punho é a síntese da nossa teoria”, conforme afirmou à época militante desse movimento. “o que contava era o zelo dos fiéis, mais que sua concordância intelectual”.
Nesta altura do texto o autor tratará de como em principio, em detrimento do antiintelectualismo de um segundo momento da trajetória fascista, os intelectuais e a incipiente ideologia fascista abriu caminho para o movimento posterior, tornando “possível imaginar o fascismo”, por meio do enfraquecimento do “apego das elites aos valores do Iluminismo”, tais teorias surgiram entre os intelectuais, para propôr uma solução perante os problemas criados pelo capitalismo, dos quais este não dava conta. Paxton ressalta ainda a importância dessas ideologias nos estágios mais avançados do regime, quando se dá um encrudescimento da situação, em razão da guerra.
Para onde vamos a partir daqui
Paxton comentando a ambigüidade do texto que resulta na preferência por parte de alguns autores pelo desuso do termo. Explica que para formular uma definição que dê conta da complexidade do fenômeno fascista é preciso “que o examinemos em ação, desde seus primórdios até o cataclismo final”. Para melhor analisar os inúmeros regimes fascistas, bem como todo seu itinerário, Paxton achou por bem usar como método a análise comparativa segmentada dos diferentes estágios de desenvolvimento do fascismo: “(1) a criação dos movimentos; (2) seu enraizamento no sistema político; (3) a tomada do poder; (4) o exercício do poder; (5) e, por fim, o longo período de tempo durante o qual o regime faz a opção pela radicalização ou pela entropia.” Para então o conceito de fascismo ser bem formulado.
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Bibliografia:
PAXTON, Robert O.“A anatomia do fascismo” São Paulo, 2007 Paz e Terra.
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