quarta-feira, 9 de abril de 2008

Anatomia do Fascismo - Capítulo 8

Universidade Federal do Rio de Janeiro
Aluna: Maria de Lourdes de Lucena Sartor
DRE: 106030957
Nazismo, neo-nazismo e revisionismo
07 de abril de 2008
-Texto número 3-

Fichamento do texto: A anatomia do fascismo, de Robert O. Paxton
Capítulo 1 - INTRODUÇÃO:

Paxton traz um foco de estudo, que engloba tanto os projetos fascistas bem sucedidos, quanto aqueles que existiram enquanto teoria somente, e ainda um terceiro caso que é o dos regimes que se instauraram no contexto de invasão. numa análise dinâmica da extensão desse fenômeno, perpassando determinados estágios nos quais podemos enquadrar a maioria desses movimentos. O autor optou por definir o fascismo, somente neste último capítulo do livro, após examinar detida e comparadamente, seus exemplos históricos.

Interpretações conflitantes
Nesta altura do texto Paxton irá trazer as diferentes interpretações do fenômeno, tanto contemporâneas a ele, quanto posteriores. A principio, o autor trata da dificuldade por parte de alguns liberais em perceber no Fascismo, características tornadas viáveis pela conjuntura social na qual estavam inseridos, e não por atos esparsos de “meliantes que chegaram ao poder”, idéia que projeta a imagem de que tais eventos ocorreram por acaso. A segunda leitura que o autor traz e da qual discorda, é a marxista, que conforme a determinação da ‘Terceira Internacional’, regida por Stálin, via o fascismo como nada mais que “um instrumento do capitalismo”, visão que, segundo o autor, ignora e tende a reduzir a complexidade dos inúmeros aspectos fascistas, bem como a “escolha humana”, ao “resultado inevitável [grifo meu] de alguma crise insuperável de superprodução capitalista.”. Após esta, o autor trabalhará mais uma vez em cima da interpretação liberal, que coloca os grandes capitalistas, como meramente vítimas desses regimes, ignorando “as vantagens mútuas” Entre ambos e supervalorizando a fala fascista, independente de sua atuação prática. Paxton introduz a leitura psicanalítica do fenômeno por meio da contestação de um lugar comum de fala, que trata os ícones fascistas como loucos. Levanta o questionamento de que se estes líderes eram de fato loucos, seu público que o seguia voluntariamente, mereceria mesma preocupação de estudos psicológicos. Nesta linha diversos teóricos psicanalistas, trouxeram a leitura desses movimentos, como fruto de uma séria repressão sexual. O autor contraporá este argumento, lembrando que a repressão sexual nos países onde o fascismo se manifestou, não era diferente da grande maioria do resto do mundo neste período. A última leitura que Paxton trará será a sociológica, em dois vieses, o primeiro tratado será o do sociólogo Talcott Parsons, que sugere que o fascismo tenha surgido em função das “tensões provocadas por um desenvolvimento econômico e social desigual”, “Parsons afirmava que, em países que se industrializaram de maneira rápida e tardia, como a Alemanha e a Itália, as tensões de classe eram particularmente agudas, e as soluções de compromisso eram bloqueadas pelas elites pré-industriais sobreviventes”, a outra abordagem sociológica era a de Hannah Arendt: “o nivelamento urbano e industrial ocorrido a partir do século XIX havia produzido uma sociedade de massas atomizada, na qual os fornecedores de ódio simplistas encontravam audiências prontas, que já não eram refreadas nem pela tradição nem pela comunidade.” Paxton traz em confronto a este último argumento, a lembrança de que a sociedade da Alemanha de Weimar por exemplo, era inteiramente dividida em pequenas secções de diversas naturezas, que iam desde grupos religiosos a corais e muitos outros tipos, esses grupos eram majoritariamente divididos entre socialistas e não-socialistas, traço que facilitou a arregimentação pelo partido nacional-socialista desses grupos, ponto fundamental no enraizamento do nazismo. A última leitura sociológica trabalhada no texto é a defendida por Seymor Martin Lipset, que trata do ressentimento das classes médias da época, que não eram tão bem organizadas quanto os dois maiores pólos sociais, os capitalista e o operariado industrial.
A respeito do projeto fascista, Paxton comenta a flutuação intelectual, em decorrência das muitas medidas que diferiam do projeto inicial, quando de sua aplicação prática. E ainda um outro aspecto acerca do projeto, é a larga diferença entre os programas e as práticas fascistas, o exemplo tratado no texto é o pretenso controle total da sociedade fascista. Aí o autor traz mais uma vez a crítica sobre os estudos que se focam sobre os projetos e não analisam a extensão do movimento.

Fronteiras
Neste subcapítulo, Paxton vai traçar a diferença entre o fascismo e outros regimes comumente confundidos com ele. A diferença principal trazida pelo autor entre o fascismo e as tiranias comuns e as democracias pré-domésticas, é configurada na imensa participação das massas no primeiro caso.

O que é o fascismo?
Paxton trará como finalização a definição do fascismo, apresentando características comuns aos diferentes regimes, tendo eles obtido sucesso ou não, em seus diferentes estágios, cabe aqui a enumeração dessas características:
“ • um senso de crise catastrófica, além do alcance das soluções tradicionais;
• a primazia do grupo, perante o qual todo têm deveres superiores a qualquer direito, sejam eles individuais ou universais, e a subordinação dos indivíduos a esses deveres;
• a crença de que o próprio grupo é vítima, sentimento esse que justifica qualquer ação, sem limites jurídicos ou morais, contra seus inimigos, tanto internos quanto externos;
• o pavor à decadência do grupo sob a influência corrosiva do liberalismo individualismo, dos conflitos de classe e das influências estrangeiras;
• a necessidade de uma integração mais estreita no interior de uma comunidade mais pura, por consentimento, se possível, pela violência excludente, se necessário;
• a necessidade da autoridade de chefes naturais (sempre se sexo masculino), culminando num comandante nacional, o único capaz de encarnar o destino histórico do grupo;
• a superioridade dos instintos naturais do líder sobre a razão abstrata e universal;
• a beleza da violência e a eficácia da vontade, sempre que voltadas para o êxito do grupo;
• o direito do povo eleito de dominar os demais, sem restrições provenientes de qualquer tipo de lei humana ou divina, o direito sendo decidido por meio do critério único das proezas do grupo no interior de uma luta darwiniana.”

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­­­­­­­­­­­­­­­­­­Bibliografia:
PAXTON, Robert O.“A anatomia do fascismo” São Paulo, 2007 Paz e Terra.

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