sexta-feira, 23 de maio de 2008

Anatomia do Fascismo - Cap. 7

Universidade Federal do Rio de Janeiro
Aluna: Maria de Lourdes de Lucena Sartor
DRE: 106030957
Nazismo, neo-nazismo e revisionismo
19 de maio de 2008
-Texto número 6: Fichamento do texto: A anatomia do fascismo, de Robert O. Paxton
Capítulo 7 – Outras épocas, outros lugares:

O fascismo ainda é possível
O autor ressalta a importância de dois eventos do início do século XX (“Primeira Grande Guerra e da Revolução Bolchevique”), para a ocorrência do fenômeno fascista. Tendo isso lança as seguintes conjecturas: O fascismo teria acabado?”, e quais condições atuais poderiam propiciar seu ressurgimento, existem tais condições?
Conforme demonstra, para alguns autores o fascismo teria sido produto única e exclusivamente das condições críticas do princípio do século XX, e ainda a repulsa que os movimentos fascistas inspiravam quase que consensualmente no período posterior à Segunda Guerra Mundial, seria o obstáculo primeiro ao ressurgimento de movimentos análogos posteriormente, outro obstáculo seria “a crescente prosperidade e a globalização aparentemente irreversível da economia mundial, o triunfo do consumismo mundial”.
Paxton apresenta então os exemplos fatídicos de acontecimentos que contrariam essas expectativas “... limpeza étnica nos Balcãs; a exacerbação dos nacionalismos excludentes no Leste Europeu pós-comunista; a disseminação da violência dos skin-heads contra os imigrantes...”. Bem como o sucesso eleitoral de grupos de extrema direita em diversos países europeus, sejam eles ligados direta ou indiretamente ao neofascismo, ou ainda que contenham características semelhantes meramente.
“O fato de acreditarmos ou não na recorrência do fascismo depende. é claro, do que entendemos por fascismo.” Segundo Payne, citado por Paxton: “ ‘o fascismo histórico específico não poderá nunca ser recriado’, embora os fascistas continuem existindo, em números reduzidos, e embora possam vir a aparecer ‘formas novas e parcialmente relacionadas de nacionalismo autoritário’”.
Entretanto, como na Europa do pós-guerra assumir-se fascista provavelmente significaria insucesso nas urnas, os líderes de partidos com tendências semelhantes assumiram uma habilidade em desviar seus discursos desses rumos a ponto de não serem comparados senão pelos mais argutos analistas, geralmente oriundos da imprensa crítica. Embora com o passar das gerações que testemunharam de perto os horrores nazi-fascistas, esses tabus tenham vindo se amenizando. Provavelmente “algum movimento futuro disposto a ‘abrir mão das instituições livres’... tendo como meta a reunificação, a purificação e a regeneração de algum grupo prejudicado, decerto daria a si mesmo um outro nome”.
“Se entendermos o renascimento de um fascismo atualizado como o surgimento de algum tipo de equivalente funcional, e não de uma repetição exata, essa recorrÊncia é de faro possível. No entanto teríamos que entendê-la por meio de uma comparação inteligente da forma como funciona, e não de uma atenção superficial a seus símbolos exteriores.”

A Europa ocidental desde 1945
O fascismo embora taxado pela grande maioria da população mundial como hediondo após o conhecimento público dos horrores cometidos por seus seguidores durante a Segunda Guerra, contava com muitos militantes fiéis e assumidos após 1945. Todavia os grupos que obtiveram mais sucesso não proclamavam publicamente suas influências fascistas, um exemplo disso era o ‘Movimento Sociale Italiano’, que só obteve maior sucesso após a morte de seu líder Giorgio Almirante, assumidamente fascista, e a mudança de nome para ‘Alleanza Nacionale’, mascarando sua faceta fascista.
Mas o “neofascismo saudosista... [na] Grã-Bretanha e [na] França sofreram a humilhação de perder seus impérios e sua posição de grandes potências. Para piorar as coisas, seus esforços finais visando ganhar tempo para seus impérios levaram-nas a aceitar imigrações maciças vindas da África, do sul da Ásia e do Caribe.”
Dentre as crises que possibilitaram uma nova emergência da extrema-direita, que tomava o lugar de oposição antes assumido pelos comunistas, decorrente do fim da União Soviética e seu bastião que dava a idéia de possibilidade do comunismo, surgiu um novo, e mais adequado ao presente, ‘bode expiatório’, comum à quase todos os países europeus: os imigrantes.
No continente que havia vivido diretamente o fim da Segunda Grande Guerra com um sentimento de repulsa frente ao fascismo, estava surgindo um movimento muito semelhante à este antes repudiado, em fins do século XX: “Inesperadamente... movimentos e partidos de direita entraram em um período de crescimento os anos 80 e 90. Embora alguns filhos tenham levado adiante a mesma causa de seus pais, novos recrutas, dando voz a novas queixas, trouxeram novo ímpeto à direita radical européia. Algo que se assemelhava ao fascismo nem de longe estava morto, na entrada do século XXI.”
Podemos identificar, neste novo contexto de surgimento de movimentos nacionalistas radicais de extrema direita, também uma crise econômica que irá potencializar suas ações: “O declínio dos setores fabris tradicionais foi um processo longo, mas assumiu proporções de crise após o primeiro e o segundo ‘choques do petróleo’, de 1973 e 1979. Enfrentando a competição dos ‘tigres asiáticos’, com seus custos de mão-de-obra inferiores, sobrecarregados com sistemas de seguridade social caros e com falta de estoques de energia, que vinha ficando cada vez mais cara, a Europa, pela primeira vez desde a década de 30, passou a enfrentar o desemprego estrutural de longo prazo.” Daí surge a nova postura relativa à imigração: Em tempos de fartura, os imigrantes eram bem vindos, porque vinham assumir o trabalho sujo recusado pela força de trabalho nacional. Mas quando, pela primeira vez desde a Grande Depressão, os europeus passaram a enfrentar o desemprego estrutural, os imigrantes deixaram de ter boa acolhida.”
Tidos como ameaça, assim como os judeus no nazismo, os imigrantes passaram a ser vistos como os elementos que colocariam em perigo a economia, bem como a identidade nacional, por introduzir o multiculturalismo aos países que os receberam. A luta contra a alteridade é um foco comum desses movimentos recentes ao fascismo histórico, a principal mudança teria sido o maior inimigo, sai de cena o judeu, entra o imigrante. O grupo mais radical a se colocar contra essa classe, são os skinheads, e esses reivindicam abertamente sua admiração e identificação com o ideário fascista. Esse grupo extremamente violento, composto em sua maioria por jovens desocupados que se sentem ameaçados pelos grupos estrangeiros, em geral são desaprovados consistentemente pela sociedade, mas cabe a questão, suscitada no texto, de que em uma situação de tomada do poder por grupos radicais que se propusessem a acabar com os problemas nacionais, estes não seriam vistos como um mal necessários à resolução do problema e tolerados pela população?
A população dos Estados de bem-estar social, questionavam a legitimidade do acesso dos imigrantes e gerações posteriores destes, aos benefícios estatais, questionavam acima de tudo se essa leva de imigrantes e seus herdeiros deveriam ser considerados cidadãos.
“A Frente Nacional, de Jean-Marie Le Pen, foi o primeiro partido de extrema-direita da Europa a encontrar a fórmula certa para as condições da época posterior a 1970” Alcançando índices eleitorais, que não eram atingidos por partidos de extrema-direita desde a década de 1940.
“A Frente Nacional centrava-se intensamente na questão dos imigrantes e nas questões relacionadas a ela, como desemprego, lei e ordem e defesa cultural. Conseguiu reunir num mesmo grupo uma grande variedade de pessoas, posicionando-se então para se transformar num grande partido de base ampla e direcionado ao protesto. No entanto apareceu como uma ameaça direta à democracia.”. Partido que conseguiu índices significativos nas eleições, atingindo o Estágio 2, descrito por Paxton no primeiro capítulo.
“Le Pen conseguiu tirar partido de uma forte onde de ressentimento contra os imigrantes, o crime de rua e a globalização, o que o levou a um chocante segundo lugar no primeiro turno das eleições presidenciais de abril de 2002, com 17% dos votos.”
Já no caso italiano, os “democrata-cristãos (DC) [que] ocupavam o poder de forma ininterrupta desde 1948”, foram substituídos no governo italiano pelo Forza Italia, do magnata da mídia Silvio Berlusconi, que fez aliança em seu governo com os antes assumidamente influenciados pelo ideário fascista da Alleanza Nazionalle, que para obter este estatuto, tiveram que trocar de nome e mascarar, suas influências, ou se “normalizar”.
“Uma oportunidade semelhante se abriu na Áustria, após vinte anos durante os quais os socialistas e o Partido do Povo (de católicos centristas moderados) trocavam cargos e favores entre si num acerto de divisão de poder que ficou conhecido como a Proporz... [o] Partido da Liberdade de Haider, ... [ constituía a] única opção não-comunista à Proporz.
“...haveria alguma justificativa para que esses movimentos de segunda geração fossem chamados de fascistas, ou mesmo de neofascistas, diante da veemente negativa deles próprios? Hoje em dia, na Europa Ocidental, existe uma relação aparentemente inversa entre uma aparência abertamente fascista e o sucesso nas urnas. Por essa razão, os líderes dos movimentos e dos partidos de extrema-direita que alcançara, algum grau de sucesso se esforçam ao máximo para se distanciar da linguagem e da imagem do fascismo.”
“Nem todos os movimentos de extrema-direita da Europa-Ocidental seguiram a estratégia da normalização”. “A Frente Nacional britânica, que veio mais tarde, estava entre os partidos de extrema-direita mais abertamente racistas”. “As tentações de normalização eram maiores na França, na Itália e na Àustria, que na Grã-Bretanha e na Bélgica”. Somente a “imprensa sempre vigilante [teve perspicácia e coragem] para acusar de criptofascismo a Le Pen [França], Haider [Áustria] e Fini [Itália].”
“Uma vez que a antiga clientela fascista não tinha lugar para onde ir, ela se satisfazia com insinuações subliminares, seguidas por desmentidos públicos”. O que engrossava ainda mais as fileiras destes partidos ‘criptofascistas’, com fascistas convictos.
“Nos programas e nas declarações desses partidos ouvem-se ecos dos temas fascistas clássicos: medo da decadência e do declínio; afirmação da identidade nacional e cultural; a ameaça à identidade nacional e à ordem social representada pelos estrangeiros inassimiláveis; e a necessidade de uma autoridade mais forte para lidar com esses problemas.”
“O elemento cuja ausência é mais notada, é o clássico ataque fascista à liberdade de mercado e ao individualismo econômico, a ser sanado pelo corporativismo e pela regulamentação dos mercados.”
“Uma outra faceta do s programas do fascismo clássico ausente na direita radical da Europa do pós-guerra é o ataque fundamental às constituições democráticas e ao Estado de direito”
Nem tampouco têm em seus programas projetos de “expansão nacional”, com exceção “os nacionalismo expansionistas dos Bálcãs, que pretendiam criar a Grande Sérvia, a Grande Croácia e a Grande Albânia.”
“Um contraste muito mais nítido surge quando comparamos as circunstâncias de hoje com as da Europa do entreguerras. Com exceção da Europa Central e do Leste Europeu pós-comunistas, a maioria dos europeus, desde 1945, vem desfrutando de paz, de prosperidade, de uma democracia operacional e de ordem interna. A democracia de massas já deixou para trás a fase de seus primeiros e vacilantes passos, como ocorria na Alemanha e na Itália da 1919. A revolução Bolchevique já não representa sequer uma sombra de ameaça. A competição global e a cultura popular americanizada, que ainda são causa de inquietação para muito europeus, parecem ser manejáveis dentro dos sistemas constitucionais vigentes, não havendo necessidade de “abrir mão das instituições livres”. Em suma, ainda que a Europa Ocidental, a partir de 1945, tenha tido “fascismos-herdeiros”, e ainda que, a partir da década de 1980, uma nova geração de partidos de extrema-direita, normalizados, apesar de racistas, tenha conseguido até mesmo ingressar em governos locais e nacionais na qualidade de parceiros minoritários, as circunstâncias, hoje em dia, são tão diferentes da Europa do entreguerras que não há abertura significativa para partidos filiados ao fascismo clássico.”

O leste europeu pós soviético
“Nenhum lugar do planeta produziu, em anos recentes, uma coleção mais virulenta de movimentos radicais de direita que o Leste europeu pós-soviético e os Bálcãs.”
“Quando, após 1991, o experimento pós soviético com a democracia eleitoral e a economia de mercado trouxe resultados desastrosos para a Rússia, movimentos como o Pamyat [de memória] resgataram” uma rica tradição eslavófila: “União do Povo Russo [URP] era um movimento de 'todas as classes', dedicado ao revivescimento e à unificação, que queria salvar a Rússia da contaminação pelo individualismo e pela democracia ocidentais...”
“Todos os Estados sucessores do Leste Europeu, a partir de 1989, tiveram movimentos de direita radical, embora a maioria deles, felizmente tenha permanecido fraca. A democracia conturbada e as dificuldades econômicas, somadas à contestação de fronteiras e à permanência de minorias étnicas descontentes, ofereciam solo fértil a esses movimentos”
“Foi na Iugoslávia pós-comunista que surgiu o equivalente mais próximo das políticas nazistas de extermínio já ocorrido na Europa do pós-guerra.” A fragmentação dos segmentos Sérvio, Croata e Albanês, que buscavam, principalmente entre esses dois últimos aniquilar o outro de seus territórios, gerou o “que o Ocidente veio a chamar de 'limpeza étnica'”.

O fascismo fora da Europa,
“Alguns observadores duvidam que o fascismo possa existir fora da Europa. Argumentam que o fascismo histórico específico exigia as pré-condições especificamente européias da revolução cultural do fim do século, da intensa rivalidade entre os novos pretendentes ao status de Grande Potência, do nacionalismo de massas e da disputa pelo controle das novas instituições democráticas.”
“Muitos observadores esperavam que o sistema do apartheid (segregação), instaurado em 1948, viesse a enrijecer sob pressão a ponto de se configurar em algo próximo ao nazismo.”
“A América Latina, entre 1930 e inícios da década de 1950, chegou mais perto de qualquer outro continente que não a Europa do estabelecimento de algo próximo a regimes genuinamente fascistas.” Entretanto,
é preciso atentar para o “alto grau de pura imitação [que] ocorreu durante o período de ascensão do fascismo na Europa. Os ditadores locais tendiam a adotar a cenografia fascista, na moda nos anos 1930, ao mesmo tempo em que copiavam soluções para a Depressão tanto do New Deal de Roosevelt, quanto do corporativismo de Mussolini.”
“A avaliação das ditaduras latino-americanas pela ótica do fascismo, é uma empreitada intelectual perigosa. Na pior das hipóteses, pode se converter num exercício de rotulação vazia. Na melhor, pode tornar mais nítida nossa imagem do fascismo clássico. Para que a comparação seja correta. Temos que distinguir entre os diversos níveis de similaridades e de diferenças. As similaridades são encontradas nos mecanismos de poder, nas técnicas de propaganda e na manipulação de imagens, ocasionalmente, em políticas específicas tomadas de empréstimo ao fascismo, tais como a organização corporativista da economia. As diferenças se tornam mais aparentes quando examinamos os ambientes sociais e políticos e a relação desses regimes com a sociedade”
“Tanto Vargas como Perón, tomaram o poder de oligarquias, e não de democracias falidas, e ambos, ampliaram a participação política”
“A visão de Hitler de uma sociedade perfeita, maculada por comunistas e judeus (que em sua mente eram idênticos), teve paralelos nos integralistas brasileiros e nos nacionalistas argentinos, que, no entanto, foram marginalizados por Vargas e Perón”
“Nem Vargas nem Perón se sentiram obrigados a exterminar um grupo específico. Sua polícia, embora brutal e incontrolada, punia inimigos individualmente identificados, não tendo como meta a eliminação de categorias inteiras.”
“As ditaduras latino-americanas se encaixam melhor na definição de ditaduras desenvolvimentistas nacional-populistas que usavam emblemas fascistas, talvez distantemente assemelhadas à de Mussolini, mas de modo algum à de Hitler (apesar de sua simpatia pelo eixo, durante a guerra).”
“O Japão, o mais industrializados dentre os países não-ocidentais, e também o que mais sofreu influência da adoção seletiva das coisas ocidentais, foi outro regime não-europeu com maior freqüência chamado de fascista. Durante a Segunda Guerra Mundial, os propagandistas aliados não hesitaram em identificar o Japão imperial com seus parceiros do eixo. Atualmente, embora a maioria dos acadêmicos ocidentais veja o Japão imperial como distinto do fascismo, os estudiosos japoneses, e não apenas os marxistas, costumam interpretá-lo como um “fascismo de cima para baixo”.
“Na década de 1920, o Japão havia dado uma série de passos em direção à democracia. Em 1926, todos os homens adultos receberam o direito de voto”
“Dentre as opiniões que eram então ouvidas, estava a Kita Ikki, que já foi chamado de um autêntico fascista japonês. O Esboço Geral das medidas para a Reconstrução do Japão (1919), de autoria de Kita, defendia a imposição estatal de restrições aos industriais e aos grandes proprietários de terras, que ele via como a principal barreira à unificação e à regeneração nacionais. Segundo Kita, depois de libertado da discórdia e dos obstáculos ao progresso criados pelo capitalismo competitivo, o Japão tornar-se-ia o centro de uma nova Ásia independente do domínio ocidental.”
A jovem democracia japonesa não sobreviveu à crise de 1931. A Grande Depressão já havia trazido pobreza para o campo e, em setembro de 1931, os líderes japoneses usaram de um pretexto para invadir a Manchúria.
“houve várias execuções, entre elas a de Kita Ikki. O próprio imperador, desse modo, pôs fim ao que foi chamado de o “o fascismo vindo de baixo” japonês.”
”Em julho de 1937, os militares japoneses provocaram um incidente na China, dando início a oito anos de guerra total no continente.”
”empossado no cargo de primeiro-ministro em julho de 1940, o príncipe Konoe estabeleceu uma ”Nova Ordem” Interna, de caráter explicitamente totalitário, cujo objetivo era colocar o Japão na liderança do que veio a ser chamado de ”Esfera de Co-Prosperidade do Grande Leste Asiático.”
”Fascistas autênticos surgiram no Japão em fins da década de 1930, na época em que os nazistas alcançavam um ofuscante êxito.”
”Em suma, o governo japonês, decidiu-se por um exame seletivo de cardápio fascista, adotando algumas de suas medidas de organização econômica corporativista e de contrôle popular, numa ”revolução seletiva” implementada pela ação estatal, ao mesmo tempo que suprimia o ativismo popular desordenado dos movimentos fascistas autênticos”
”Embora nao haja dúvida qaunto ao fato do Japão imperial se inspirar em modelos fascistas e compartilhar características importantes com este, a variante japonesa era imposta pelos governantes, faltando-lhe a base de um partido de massas único ou de um movimento popular.”
”semsemelhanças de curto prazo entre as situações da Alemanha e do Japão no século XX: a vívida percepção da ameaça representada pela União Soviética (...) e a necessidade de adaptar rapidamente suas hierarquias políticas e sociais tradionais à política de massas. O Japão imperial era ainda mais eficiente que a Alemanha no uso de métodos modernos de mobilização e propaganda, visando integrar sua população sob a autoridade tradicional.”
”Por fim, o Japão, embora indubitavelmente influenciado pelo fascismo europeu, e apesar também de algumas analogias estruturais com a Alemanha e a Itália serem possíveis, enfrentava problemas menos críticos que aqueles dois países europeus. Os japoneses nao se defrontaram com a ameaça de uma revolução iminente e não tinha que superar a derrota externa nem a desintegração nacional (embora eles temesse e se ressentissem dos obstáculos colocados pelo Ocidente à sua expansão na Ásia). Apesar de o regime lançar mão de técnicas de mobilização de massas, seus líderes não enfrentavam a competição de partidos oficiais ou de movimentos de base.”
”Os regimes ditatoriais da África e da América Latina que deram sustentação aos interesses norte-americanos ou europeus (extração de recursos, privilégios de investimentos, apoio estratégico durante a guerra fria) e, em troca, foram apoiados por protetores ocidentais, já foram chamados de ”fascismos clientes”, fascismos substitutos” ou ”fascismos coloniais”.”
”Estes Estados-Clientes, entretanto, por mais odiosos que tanham sido, não podem ser chamados de fascistas porque nem tinha uma base de aclamação popular nem eram livres para se engajar em expansionismo territorial. Caso permitissem a mobilização da opinião pública, estariam se arriscando a vê-la se voltarcontra seus patrões estrangeiros e contra eles prórpios. A melhor definição para esses regimes seria o de ditaduras ou tiranias tradicionais com apoio externo.”
”movimentos que empregam temas autenticamente americanos de maneira funcionalmente assemelhadas ao fascismo. A Klan ressurgiu na década de 1920, incorporou um antisemtismo virulento e se espalhou pelas cidades e pelo Meio-Oeste americano. Nos anos 1930, o padre Charles E. Coughlinreuniu uma audiência radiofônica estimada em 40 milhões, em torno de uma mensagem anti-comunista, anti-Wall Street, a favor da não-regulamentação das doações partidárias e, após 1938, também anti-semita, transmitida de sua igreja situada na periferia de Detroit.”
”É óbvio que os Estados Unidos teriam que sofrer reveses de proporções catastróficas, levando a uma polarização intensa, antes de esses grupos marginais conseguirem encontrar aliados poderosos e ingressar na corrente central da vida política.”
”A partir de 11 de setembro de 2001, as liberdades civís vêm sendo restringidas em nome da guerra patriótica contra os terroristas, sob os aplausos da população. A linguagem e os símbolos de um fascismo autenticamente americano, é claro, teriam pouco ou nada a ver com os modelos europeus originais.”
”Num fascismo americano, não haveria suásticas, mas sim Estrelas, Listras e cruzes cristães, e não haveria saudações nazistas, mas sim a recitação de Juramento da Lealdade. Esses símbolos, em si, não contêm sequer um sopro de fascismo, é claro, mas um fascismo americano os transformaria num teste obrigatório para a detecção do inimigo externo.”
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­­­­­­­­­­­­­­­­­­Bibliografia:
PAXTON, Robert O.“A anatomia do fascismo” São Paulo: Paz e Terra, 2007.

Um comentário:

Anônimo disse...

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